Cumprir o Propósito da
Sociedade de Socorro
Julie B. Beck
Presidente Geral da Sociedade de Socorro
Presidente Geral da Sociedade de Socorro
A Sociedade de Socorro foi criada pelo
Senhor para organizar, ensinar e inspirar Suas filhas a prepararem-se para as
bênçãos da vida eterna.
Queridas irmãs, que bela visão são vocês, e que
gratidão sentimos por estarmos aqui hoje! Temos profundo amor e apreço por
todas vocês.
Como presidência geral da Sociedade de
Socorro, tivemos no ano passado a oportunidade de visitá-las no mundo inteiro. Conversamos
com vocês na Alemanha, Dinamarca, Austrália e em Gana. Oramos com vocês em
Cingapura, Hong Kong, Índia e no Sri Lanka. Fomos inspiradas e edificadas com
vocês no Brasil, no Chile, em Porto Rico, no Canadá e nos Estados Unidos.
Regozijamo-nos em saber que vocês estão
“fazendo o bem” como fez o Salvador. Estão realizando um trabalho magnífico.
Mas devemos dizer-lhes que há mais a ser feito. Buscamos a inspiração do Senhor
para saber como ajudar o sacerdócio na edificação do reino de Deus na Terra.
Mais do que nunca, é hora de a Sociedade de Socorro cumprir seu propósito. Para
seguir adiante e realizar o que o Senhor deseja, precisamos compreender
claramente o propósito da Sociedade de Socorro.
Começarei revendo parte da história da
Sociedade de Socorro para explicar por que ela foi criada. Depois, explicarei
três responsabilidades que todas as irmãs da Sociedade de Socorro têm em comum.
Por fim, explicarei como o Senhor espera que cumpramos o encargo divino que
recebemos, tanto individualmente quanto como organização.
I. Por que a Sociedade de Socorro Foi Criada
É impossível compreender a razão de
termos uma organização de mulheres na Igreja sem que entendamos a Restauração
do evangelho de Jesus Cristo. O Senhor, conhecendo as calamidades que estavam
prestes a acontecer nestes últimos dias, falou a Seu servo, Joseph Smith Jr., e
deu-lhe “mandamentos (…) para que a fé (…) [aumentasse] na Terra; para que o
[Seu] eterno convênio [fosse] estabelecido (…) [e] para que a plenitude do
[Seu] evangelho [fosse] proclamada pelos fracos e pelos simples aos confins da
Terra”.1
A obra do Senhor é cumprida à medida
que Seu evangelho é “pregado a toda nação e tribo e língua e povo”2 e que Seu convênio eterno é
estabelecido por meio das ordenanças do templo.
Assim como o Salvador convidou Maria e
Marta, na época do Novo Testamento3, a participarem de Sua obra, as
mulheres desta dispensação têm o encargo oficial de participar da obra do
Senhor. Desde o início da Restauração, as mulheres foram ativas na edificação
da Igreja, apoiando o trabalho missionário, contribuindo para a construção de
templos e estabelecendo comunidades nas quais os santos pudessem adorar juntos.
A organização da Sociedade de Socorro, em 1842, mobilizou a força conjunta das
mulheres e seu encargo específico de edificar o reino do Senhor, da mesma forma
que a organização dos quóruns do sacerdócio deu responsabilidades específicas
aos homens.
Desde sua organização, a Sociedade de
Socorro se espalhou pelo mundo inteiro e foi chamada de “a maior e, em todos os
sentidos, a melhor organização de mulheres da Terra”.4 Sabemos, por intermédio do
Profeta Joseph Smith, que a Sociedade de Socorro fazia formalmente parte da
Restauração e que existia uma organização semelhante de mulheres na Igreja, na
antiguidade.5 O Presidente Joseph F. Smith
ensinou que a Sociedade de Socorro foi organizada “por Deus, autorizada por
Deus, instituída por Deus e ordenada por Deus”6, “de acordo com a lei do céu”7, para ajudar o Senhor a “levar a
efeito a (…) vida eterna do homem”.8
Por meio da Sociedade de Socorro, as
mulheres têm um papel oficial na Igreja, com grandes responsabilidades, “inclusive
o trabalho no templo e o ensino do Evangelho”.9 Além disso, a Sociedade de
Socorro deve ajudar as mulheres a “plantar e cultivar (…) um testemunho de
[Jesus Cristo] e do evangelho”10, “fortalecer a família e o lar”11 e “[cumprir] todas as obrigações
familiares”.12 Ela tem a responsabilidade de
cuidar das “necessidades dos pobres, doentes e carentes”, mas o Presidente
Joseph F. Smith disse que a maior parte de seu trabalho “é cuidar do bem-estar
e da salvação (…) de todos os membros do sexo feminino da Igreja”.13
Em resumo, o propósito da Sociedade de
Socorro, conforme determinado pelo Senhor, é o de organizar, ensinar e inspirar
Suas filhas a prepararem-se para as bênçãos da vida eterna. Quero repetir isso.
O propósito da Sociedade de Socorro, conforme determinado pelo Senhor, é o de
organizar, ensinar e inspirar Suas filhas a prepararem-se para as bênçãos da
vida eterna.
II. Nossas Responsabilidades
Para cumprir o propósito da Sociedade
de Socorro, o Senhor encarregou cada irmã da Sociedade de Socorro e a
organização como um todo de:
1. Aumentar a fé e a retidão pessoal.
2. Fortalecer as famílias e os lares.
3. Servir ao Senhor e aos Seus filhos.
Cada uma dessas responsabilidades apóia
e reforça as outras duas. Quando aumentamos nossa fé, o resultado desse esforço
fortalece nossa família. Quando servimos ao Senhor e aos Seus filhos, nossa fé
e capacidade de retidão aumentam. As três responsabilidades estão
inseparavelmente ligadas. Vamos começar pela primeira responsabilidade.
1. Aumentar a fé e a retidão
pessoal. Para fazermos nossa parte no plano do
Senhor, temos que aumentar nossa fé e retidão pessoal. Nossa condição de
membros da Igreja exige fé, que nutrimos por toda a vida com grande “diligência
e paciência e longanimidade”.14 No legado comum que
compartilhamos, temos exemplos notáveis de fé que nos foram deixados pelas
primeiras mulheres da Igreja. As primeiras pioneiras foram expulsas de seu lar
e perseguidas por causa de sua fé. Outras sobreviveram a incêndios e
inundações. Cruzaram oceanos e caminharam milhares de quilômetros, suportaram a
sujeira e as doenças e quase morreram de fome para edificar o reino de Deus na
Terra. Muitas delas sepultaram o marido, os filhos, os pais e irmãos ao longo
do caminho. Por que fizeram isso? Fizeram porque a chama da fé ardia em sua
alma. Aquelas mulheres extraordinárias não buscavam roupas finas, conforto,
grandes mansões terrenas ou mais posses. Como vocês, elas tinham uma convicção
e um testemunho de que o evangelho restaurado de Jesus Cristo era verdadeiro e
que o Senhor precisava de que fizessem sua parte no estabelecimento de Seu
reino na Terra. Sua busca de retidão pessoal traduzia-se no empenho diário de
tornarem-se mais semelhantes ao Salvador, por meio do arrependimento, do estudo
das escrituras, da oração, da obediência aos mandamentos, procurando toda coisa
“virtuosa, amável, de boa fama ou louvável”.15
2. Fortalecer as famílias e os
lares. Nossa segunda responsabilidade é
fortalecer as famílias e o lares. No mundo inteiro, a família está sendo
atacada e enfraquecida por práticas corruptas e ensinamentos falsos. Portanto,
quer sejamos casadas ou solteiras, jovens ou idosas, temos o dever de defender
e praticar as verdades que se encontram em “A Família: Proclamação ao Mundo”.
A Primeira Presidência aconselhou: “Por
mais dignas e adequadas que sejam outras obrigações ou atividades, não podemos
permitir que tomem o lugar dos deveres que nos foram atribuídos por Deus e que
só os pais e a família podem desempenhar adequadamente”.16 As crianças que nascem hoje
estão crescendo num mundo cada vez mais pecaminoso. Nosso lar precisa ser seu
refúgio do contato diário que têm com o mal.
A Sociedade de Socorro deve ser
organizada, preparada e mobilizada para fortalecer a família e ajudar o lar a
ser um santuário sagrado no mundo. Aprendi isso há vários anos, quando era
recém-casada. Meus pais, que eram meus vizinhos, anunciaram que se mudariam
para outra parte do mundo. Eu contava com o amparo e o exemplo sábio e
encorajador de minha mãe. Mas ela ficaria longe por muito tempo. Isso foi antes
de existirem e-mails, aparelhos de fax, telefones celulares e webcams,
numa época em que as cartas demoravam muito para chegar. Na véspera de sua
partida, sentei-me com ela, chorando, e perguntei: “Quem será minha mãe?” Ela
refletiu cuidadosamente e, com o Espírito e o poder da revelação que mulheres
como ela recebem, disse: “Se eu nunca voltar, se você nunca mais me vir, se eu
nunca mais puder ensinar-lhe outra coisa, apegue-se à Sociedade de Socorro. A
Sociedade de Socorro será sua mãe”.
Minha mãe sabia que, se eu ficasse
doente, as irmãs cuidariam de mim e que, quando eu tivesse meus bebês, elas me
ajudariam. Mas a maior esperança da minha mãe era a de que as irmãs da
Sociedade de Socorro seriam líderes vigorosas e espirituais para mim. Comecei,
desde aquela época, a aprender muito com mulheres de grande estatura espiritual
e fé.
Três mulheres ocuparam o chamado de
presidente da Sociedade de Socorro das minhas alas, enquanto meus pais moraram
longe. Alta Chamberlain me convidou a dar aulas de administração do tempo e
organização do lar para as outras irmãs, talvez porque tivesse notado que eu
precisava melhorar essas aptidões. Jeanne Horne me incentivou a terminar meu primeiro
estudo pessoal sério do Livro de Mórmon. Recebi de Norma Healey meus primeiros
cargos na fábrica de enlatados, e ela me ensinou muito sobre o serviço. Aquelas
mulheres maravilhosas compreendiam o propósito da Sociedade de Socorro.
3. Servir ao Senhor e aos Seus
filhos. A terceira responsabilidade de todas as
mulheres da Igreja é a de servir ao Senhor e aos Seus filhos. É interessante
notar que, nos primeiros anos em que minha mãe esteve distante, servi como
presidente da Primária da ala, e mais tarde como presidente das Moças da ala.
Fui membro do conselho da ala, trabalhando sob a direção do bispado. O
Presidente Boyd K. Packer ensinou que “assim como [o serviço de muitos irmãos
do Sacerdócio Aarônico] fortalece o Sacerdócio Maior, (…) prestar esse serviço
abnegado [nas Moças e na Primária] é demonstrar devoção à Sociedade de Socorro”.17 Quando servimos em outra
auxiliar, não somos desobrigadas da irmandade da Sociedade de Socorro. Como não
entramos na Sociedade de Socorro nem saímos dela, estamos sempre ligadas ao seu
propósito e a suas responsabilidades, tendo a bênção de sempre poder deixar
nosso exemplo para os filhos de nosso Pai e de apascentá-los com fé.
A Sociedade de Socorro tem entre seus
encargos algumas das mais extraordinárias oportunidades de serviço deste mundo
à disposição de todas as irmãs. Em minhas viagens por todo o
mundo, vi que milhares e milhares de vocês que não têm atualmente marido ou filhos,
são um reservatório incrível de fé, talentos e dedicação. Ninguém está em
melhor situação do que vocês para realizar o trabalho do templo, servir em uma
missão, ensinar a nova geração e ajudar os que são oprimidos. O Senhor precisa de
vocês.
Também me maravilhei com a juventude e
energia de vocês que estão saindo do programa das Moças e passando a fazer
parte da Sociedade de Socorro. Vi que vocês têm grande anseio no coração de
fazer algo de bom neste mundo. Freqüentemente imagino o que poderia acontecer
com o trabalho de história da família, por exemplo, se vocês compartilhassem
suas habilidades técnicas com as irmãs mais velhas como eu! Simplesmente não
podemos dar-nos ao luxo de desperdiçar seu vigor jovem e dinâmico sugerindo que
fiquem quietas, vendo mulheres mais velhas e experientes fazerem todo o
planejamento, a organização e o trabalho da Sociedade de Socorro.
III. Cumprir o Propósito
Podemos fazer o trabalho do Senhor à
maneira Dele quando buscamos, recebemos e seguimos a revelação pessoal. Sem
revelação pessoal, não podemos ter sucesso. Se dermos ouvidos à revelação
pessoal, não há como fracassarmos. O profeta Néfi ensinou que o Espírito Santo “vos
mostrará todas as coisas que deveis fazer”.18 Foi profetizado que nos últimos
dias o Senhor derramaria Seu Espírito sobre Suas jovens.19 Isso acontecerá, se nos permitirmos
ficar suficientemente quietas e serenas para ouvir a voz do Espírito. O Élder
Neal A. Maxwell ensinou que receber revelação para nosso chamado e em nossa
vida pessoal “exige um árduo esforço mental de nossa parte. (…) A revelação não
acontece apertando botões, mas esforçando-nos, freqüentemente com o auxílio do
jejum, do estudo das escrituras e da reflexão pessoal.
Acima de tudo, a revelação exige que
tenhamos um nível suficientemente elevado de dignidade pessoal, portanto, de
vez em quando, a revelação pode chegar ao justo sem que tenha sido solicitada”.20
IV. Conclusão
O Presidente Spencer W. Kimball
declarou, há vários anos, que “há um grande poder nessa organização que ainda
não foi plenamente exercido para fortalecer os lares de Sião e edificar o Reino
de Deus — nem há de ser até que as irmãs e o sacerdócio compreendam realmente o
que é a Sociedade de Socorro”.21 A Sociedade de Socorro foi
criada pelo Senhor para organizar, ensinar e inspirar Suas filhas a
prepararem-se para as bênçãos da vida eterna. Nosso objetivo é apoiar as
mulheres da Igreja em suas responsabilidades individuais, garantindo que todas
as reuniões, lições e atividades que realizarmos as ajudem a aumentar sua fé e
retidão pessoal, fortalecer sua família e seu lar, e servir ao Senhor e aos
Seus filhos.
A única maneira pela qual podemos
realizar isso é buscando, recebendo e seguindo a revelação pessoal. O
verdadeiro poder dessa grande irmandade mundial está em cada mulher. Embora
talvez nos consideremos fracas e incapazes, todas compartilhamos um nobre
legado e podemos desenvolver uma fé igual à das mulheres notáveis e fiéis que
nos antecederam. Temos um papel vital a desempenhar na edificação do reino de
Deus e na preparação para a vinda do Senhor. Na verdade, o Senhor não pode
realizar Sua obra sem a ajuda de Suas filhas. Por esse motivo, o Senhor espera
que aumentemos nossa oferta. Ele espera que cumpramos como nunca o propósito da
Sociedade de Socorro. Sinto-me grata por poder prestar testemunho da veracidade
do evangelho restaurado de Jesus Cristo e de que temos hoje um profeta vivo que
lidera Sua obra. Em nome de Jesus Cristo. Amém.
1. D&C 1:17, 21–23.
2. D&C 133:37.
3. Ver Lucas 10:38–42.
4. Boyd K. Packer, “The Circle of Sisters”,Ensign, novembro de 1980, p. 109.
5. Ver Eliza R. Snow, “Female Relief
Society”, Deseret News, 22 de abril de 1868, p. 1.
6. Ensinamentos dos Presidentes
da Igreja — Joseph F. Smith (curso de estudos do Sacerdócio de
Melquisedeque e da Sociedade de Socorro, 1998), p. 184.
7. D&C 102:4.
8. Moisés 1:39.
9. Dallin H. Oaks, “O Sacerdócio e as
Auxiliares”, Reunião Mundial de Treinamento de Liderança, 10
de janeiro de 2004, p. 17.
10. A Primeira Presidência,“Memorandum
of Suggestions”, 29 de março de 1940, p. 2.
11. Reunião Mundial de
Treinamento de Liderança, 10 de janeiro de 2004, p. 18.
12. D&C 20:47; ver também versículo
51.
13. Ensinamentos dos
Presidentes da Igreja: Joseph F. Smith, 1998, p. 185.
14. Alma 32:43.
15. Regras de Fé 1:13.
16. Carta da Primeira Presidência, 11
de fevereiro de 1999.
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